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FILHOS SÃO COMO FLECHAS QUE carregamos na aljava. E eu gosto muito desta comparação feita por Davi: ?Como flechas na mão do guerreiro, assim são os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche delas a sua aljava; não será envergonhado quando pleitear com os inimigos à porta? (Salmo 127:5 e 6 ). Aljava era uma espécie de saca, um estojo ou equipamento usado para carregar as flechas usadas pelos arqueiros desde a Antiguidade. Quem porta uma aljava cheia de flechas, está bem munido. Flechas não são apenas armas de combate ou mesmo de esporte, mas instrumentos magníficos que exigem técnica, preparo, concentração para quem faz uso delas.

Nossos filhos podem ser flechas certeiras, aquelas que lançamos com precisão, usando força e sensibilidade na medida certa. É preciso ter um bom arco, assim como um olhar apurado para a mira. Pais que sabem usar flechas estão quase sempre bem acompanhados por filhos que foram bem lançados. Eles lançam suas flechas que cortam o ar, atravessam o mundo com sua força a fim de atingir o melhor alvo. Se você é divorciado e tem filhos, tenha certeza de que será uma tolice dizer que seu casamento foi um engano, um erro. Afinal, seus filhos surgiram desta união. São a melhor parte do que você e seu ex-conjugê construiram. Celebre!
Seus filhos representam uma poderosa herança, flechas sendo preparadas e afiadas. Sem eles, sua aljava seria diferente, talvez empobrecida. Não sabemos. Com eles, você transformou-se em um melhor guerreiro na vida. Ao carregar sozinho sua aljava cheia de flechas, sem dúvida, você passou a entender como saber guerrear tornou-se muito mais importante.
Pois é, criar filhos é outro desafio de gente divorciada. Seja a guarda do pai ou da mãe, há uma sobre carga quase dilacerante. Não há o outro para ajudar com deveres de casa, com educação diária, com tarefas domésticas, com ajuda no transporte de crianças que, muitas vezes pequenas, precisam ser levadas para lá e para cá por pais que se tornam seus motoristas ou assíduos frequentadores de ônibus.
Existem detalhes que somente educadores solitários sabem como enfrentar (ou não enfrentar). Quem está de fora sequer imagina o acúmulo de demandas que filhos trazem ao cotidiano de um divorciado, independente da idade ou do número da prole. Sejam ainda bebês, crianças, adolescentes ou jovens, eles são a prioridade, o foco central de quem mora com eles e, consequentemente, acompanha de perto a evolução do destino. E como nunca foi fácil ser pai ou mãe, a meta é superar a loucura, ?matar um leão por dia? e prosseguir na missão, de preferência, sem reclamar.
Meninos e meninas em fase de crescimento possuem uma velocidade incrível de apelos. Estão sempre requerendo nosso preparo, reações, respostas e soluções rápidas para suas demandas de formação. Quanto mais o tempo passa, mais devastadores podem ser os efeitos de problemas e anseios mal trabalhados. Como estão em crescimento físico, espiritual e emocional, não dá para pensar que terão a mesma maneira de pensar e agir como a de um adulto. Nem dá para fugir de ser pai e mãe. É inevitável agarrar a realidade com as unhas para que não seja tarde demais e todas as flechas saiam tortas da aljava, antes mesmo de serem lançadas para o futuro. Quem foge desta responsabilidade é, sem exageros, uma pessoa canalha.
Se você não é divorciado ou se é, não possui filhos, fique ligado nessa fragilidade alheia. Faça um esforço e torne-se um pouco mais atento ao que pode fazer para ajudar quem não tem suporte para cuidar de filhos em certos momentos. Refiro-me a situações de urgência ou mesmo de lazer. Quer que eu seja mais detalhista? Imprevistos acontecem, como acidentes, doença, trabalho extra, reuniões intermináveis, eventos obrigatórios, atrasos... Como muitos pais se viram para cuidar dos filhos em momentos de emergência? Com menos teoria e mais prática, será marcante socorrer muita gente nesta hora. Seja para você, como alguém que torna-se mais humano e mais cristão, seja para quem recebe a ajuda, que jamais irá te esquecer por isso. Portanto, esteja mais disponível!
E aproveito para lembrar do costumeiro hábito de fazer uso de avós para cuidar de seus netos enquanto mães, com ou sem marido, precisam ausentar-se por qualquer tempo que seja. É louvável, certamente, que nossas mães nos ajudem. Mas ouso falar em nome destas não menos guerreiras que acabam aderindo à uma ocupação que amam, mas que nem sempre merecem ser sacrificadas por ela. Sendo assim, sejamos todos sinceros: vamos tentar poupar ou deixar de abusar destes seres já cansados, embora quase sempre de braços abertos.
Soluções alternativas? Quisera ter muitas. Mas aqui, enfaticamente, venho trazendo questionamentos. Eles provocam exercício mental, são condutores de novas possibilidades, cutucam a criatividade. De qualquer forma, insisto em soluções possíveis, descomplicadas, pró-ativas, para uma realidade que é explícita. Do jeito que percebo famílias em que a mulher sozinha está ?a beira de um ataque de nervos? entre pressões e filhos, acho inteligente alguma ação de apoio, tanto individual, como coletiva. Todo filho tem pai, independente da trajetória de um divórcio.
Cansei de ouvir a expressão ?pãe?, enquanto criava e sustentava meus filhos sozinha. Sou contra ela. Ser mãe e pai ao mesmo tempo escraviza, mutila o detentor deste ?título?. A o mesmo tempo, traz confusão à cabeça de gente pequena que não sabe muito bem como definir e identificar o papel de cada membro de sua família. Apossar-se da função de pai e mãe danifica qualquer aparelho emocional e físico. Deixo as variadas explicações para os psicólogos, mas assumo minha posição contrária a prática do ?pãe?. Deixemos os pais serem pais e vamos curtir todas as vantagens, possibilidades e limitações da maternidade. E vice-versa. Nossa saúde agradece!
Filhos existem para serem amados, polidos a cada dia, preparados para o vôo certeiro. Pais emocionalmente saudáveis criam filhos emocionalmente saudáveis, não importa a dor que foi gerada na família. Assim como creio no amor para homens e mulheres divorciados, creio no amor para os filhos destas pessoas. Acredito na verdade que também liberta. Foi com ela que sempre tratei meus filhos, dando a eles o direito de saber a razão das coisas, proporcionando transparência e lucidez à mentes que precisavam conhecer a superação acima da tribulação.
Filhos precisam ser educados com o melhor de nós mesmos e não com o pior. E isso é possível, mesmo quando o lar é quebrado. Só que o amor cura, restaura, transforma, e isso eu faço questão de repetir. E se você pensa que seus filhos não terão capacidade de vencer os desdobramentos de um divórcio na família, saiba que eles podem te surpreender e proporcionar grandes lições porque o que aqui é plantado, aqui é colhido. Germine verdade, cumplicidade, amor, alegria e serenidade em sua casa e você verá gente rindo debaixo do seu teto, pois ?ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimentos; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação? (Habacuque 3.17-18).
Viva a alegria de Habacuque! Viva a alegria de nossos filhos, garantida por Deus, frutificada em uma família que vive de perdão, de esperança, de união, mas sem máscaras.